A pandemia da COVID-19 está aprofundando as desigualdades dentro e além das nossas fronteiras. E, à medida que o mundo se torna mais digital, o acesso desigual à tecnologia deixa para trás boa parte da população global.

Se quisermos evitar o aumento dessa desigualdade, as empresas de tecnologia não podem se concentrar apenas na inovação, mas também nas pessoas, na inclusão e no empoderamento de indivíduos e comunidades. Caso contrário, a desigualdade continuará a crescer.

Você pode ver isso se aprofundando na educação. Quando as escolas fecharam, em 2020, o aprendizado foi interrompido para mais de 1,6 bilhão de alunos em todo o mundo. Algumas comunidades, por sua vez, migraram para o ambiente online e o ensino a distância rapidamente. Só que as famílias sem acesso à Internet ou dispositivos digitais em casa foram duramente atingidas.

No Reino Unido, por exemplo, escolas em algumas áreas relataram que até 70% das crianças não têm computadores em casa. Ao mesmo tempo, as crianças com acesso compartilhado a dispositivos passam menos tempo em aulas online — 2,6 horas por dia, para alunos do ensino médio, em comparação com 3,8 horas por dia para seus colegas mais favorecidos. 

Com outras famílias sem banda larga ilimitada ou velocidades necessárias para dar poder às aulas online, a Royal Society prevê que a perda de tempo escolar pode prejudicar a economia do Reino Unido por até 65 anos.

Descobertas semelhantes podem ser observadas na UE e nos EUA. Em outubro de 2020, os membros do Parlamento Europeu (MEPs) votaram em medidas para eliminar a lacuna de competências digitais — a pesquisa mostrou que 32% dos alunos em alguns estados-membros não tiveram acesso à educação por vários meses durante 2020. 

Já nos EUA, 59% dos pais com rendas mais baixas — pesquisados pelo Pew Research Center, em abril de 2020 — revelaram que seus filhos provavelmente enfrentariam pelo menos um obstáculo digital com a educação remota.

Como sugere a pesquisa do Reino Unido, interrupções contínuas na educação podem ter efeitos devastadores de longo prazo nas crianças de hoje e nas perspectivas econômicas nacionais nas próximas décadas.

Você pode ver a divisão se aprofundando entre os idosos. Muitos deles adotaram a tecnologia digital pela primeira vez durante a pandemia, saindo de suas zonas de conforto para fazer compras na Amazon ou manter contato com suas famílias no Zoom. 

Embora esse seja um progresso empolgante, ainda é difícil argumentar que os grupos demográficos mais antigos estão prontos para um mundo onde a vida digital é o novo normal. Muitos aspectos importantes da vida on-line ainda estão inacessíveis — coisas como pagamentos eletrônicos, plataformas de entrega de alimentos e saúde online, que podem mitigar o isolamento e aumentar o empoderamento, permanecem fora de alcance.

Se os idosos não sabem como obter um código de verificação, por exemplo, eles não podem usar o transporte público ou ir ao hospital. No Reino Unido, mais da metade das pessoas com mais de 75 anos nunca usou a internet.

Com mais de 700 milhões de pessoas com 65 anos ou mais no mundo, representando 9,3% da população, a lacuna de geração digital não é nova, mas assumiu um novo nível de gravidade desde o ano passado.

Você pode ver a divisão se aprofundando nos negócios. Durante o ano de 2020 vimos empresas familiares e marcas icônicas fecharem suas portas. Embora muitas corporações tenham capacidade de resistir às tempestades sociais e globais, como a pandemia, inúmeras empresas menores não têm agilidade, infraestrutura, finanças ou know-how para mudar rapidamente seus negócios online, aumentar o e-commerce, fazer uma transição perfeita para o trabalho em casa ou automatizar processos. 

Isso teve um efeito devastador nas PMEs em todo o mundo, e as repercussões provavelmente continuarão ao longo de 2021, com aumentos de dois dígitos em insolvências esperados em todo o mundo. Em comparação com 2019, as taxas de falência devem aumentar 57% na América do Norte, 34% na Europa Central e Oriental, 33% na América Latina, 32% na Europa Ocidental e 31% na Ásia.

Uma vez que 25 milhões de PMEs representam 99% de todas as empresas na UE — gerando mais de metade do PIB da UE e proporcionando mais de dois terços de todas as oportunidades de emprego —, o impacto potencial nas economias em geral não pode ser subestimado.

Já é possível ver a divisão se aprofundando no emprego. A OCDE relata que o impacto da COVID-19 nos empregos é 10 vezes maior do que o que vimos durante a crise financeira, por sua vez, criando uma crise social crescente. 

Nos setores mais atingidos, 40% a 50% dos trabalhadores têm contratos de meio período, temporários ou autônomos, todos com baixa segurança no emprego e acesso a seguro-desemprego. Mulheres e trabalhadores mal pagos são os mais afetados pela perda de empregos, enquanto os jovens enfrentam uma perspectiva sombria de empregos que pode afetá-los por muitos anos.

Além disso, grande parte da força de trabalho carece de habilidades digitais para fazer a transição rápida do mundo trabalhista off-line para o on-line, mesmo em nações mais avançadas. Na UE, por exemplo, a Comissão Europeia relata que 37% da força de trabalho carece de competências digitais suficientes, apesar da sua crescente importância no local de trabalho.

Dois cenários de trabalho possíveis

Um futuro em forma de K?

Estimativas do Banco Mundial sustentam que a COVID-19 levará cerca de 424 milhões de pessoas à pobreza, revertendo décadas de progresso e ampliando as desigualdades socioeconômicas nos países em desenvolvimento e desenvolvidos.

Ao contrário dos ciclos anteriores de recessão e recuperação, essa lacuna cada vez maior provavelmente resultará em uma recuperação em forma de K, onde diferentes grupos de pessoas, setores e diferentes partes da economia se recuperam em taxas diferentes. 

A reestruturação socioeconômica que ocorre pode não apenas aumentar a desigualdade, mas consolidá-la ao polarizar a riqueza dentro das fronteiras e entre as nações. E, claro, são as vidas individuais que são afetadas. Uma perda de emprego que afunda uma família na pobreza, o isolamento prolongado e a falta de apoio para um cidadão idoso que resulta em depressão, faltas à escola que afetam o futuro de uma criança.

Seguindo em Frente

A complexidade e a escala do que o mundo está passando significa que nenhuma resposta fácil está disponível. É por isso que precisamos trabalhar agora. Precisamos de uma abordagem sistemática que reúna governos, empresas e as pessoas mais afetadas.

Do nosso ponto de vista, baseado em tecnologia, existem alguns caminhos que podemos tomar: em primeiro lugar, precisamos conectar os desconectados. Metade do mundo ainda não tem acesso à internet, e isso é simplesmente insustentável em um mundo cada vez mais digital. 

Em segundo lugar, precisamos combater a falta de habilidades digitais na sociedade. As pessoas não podem ser capacitadas pela tecnologia se não souberem como usá-la. 

Terceiro, precisamos nos concentrar nas comunidades carentes, incluindo mulheres, meninas e gerações mais velhas. O aumento da desigualdade e a falta de inclusão prejudicará quaisquer esforços para criar uma economia mais sustentável à medida que lentamente saímos desta pandemia.

A tecnologia tem o potencial de aumentar a desigualdade, e tem. Mas se planejarmos bem e trabalharmos juntos com foco, a tecnologia também tem o poder de fechar as lacunas socioeconômicas. É fundamental que o tratemos e apliquemos como uma ferramenta de inclusão, que beneficia e capacita as pessoas e que sustenta uma recuperação mais justa e uniforme.

Este artigo foi útil?

Obrigado pela avaliação!

Sim Não

Escrito por:

Marketing Huawei

Deixe seu comentário

Nome * Campo Obrigatório
E-mail * Campo Obrigatório * E-mail Inválido