A direção autônoma está na moda e chegou para ficar, agora com muitas marcas à procura de um meio para tornar o mercado ainda mais lucrativo. No Shanghai Auto Show deste ano, por exemplo, indivíduos e empresas de tecnologia apresentaram novos carros com direção automatizada parcialmente assistida. Um dos que se destacaram foi o Arcfox Alpha S, que é o primeiro carro a integrar a plataforma automotiva inteligente da Huawei: Huawei HI.

Então, 2021 será o ano em que os veículos autônomos (AVs) se tornarão populares? Forbes, entre muitos outros, parecem pensar assim. Infelizmente, isso não significa que os veículos autônomos vão chocar o mundo completamente ainda este ano — temos um longo caminho a percorrer antes que isso aconteça. 

Isso porque a autonomia do veículo é classificada em seis níveis, onde o Nível 0 indica nenhuma automação e o Nível 5 indica automação total. No momento, estamos pairando em torno do Nível 3, o que significa que os veículos podem detectar o ambiente ao redor e tomar decisões por si próprios, como ultrapassar veículos mais lentos. 

Mesmo assim, os veículos de Nível 3 ainda requerem uma pessoa no assento do motorista, pronta para assumir o controle se algo imprevisto acontecer. Tendo em vista que cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem a cada ano devido a acidentes rodoviários, com mais 20 a 50 milhões de feridos, nossas estradas precisam desesperadamente se tornar mais seguras.

Uma maneira de fazer isso é removendo o elemento humano da equação — afinal, o erro humano é a causa de 94% de todos os acidentes graves. Veículos totalmente autônomos (ou seja, Nível 5) fazem exatamente isso: eles não requerem qualquer intervenção humana. Portanto, pular em um AV de nível 5 não trará apenas conveniência, mas também tem o potencial de tornar nossas estradas mais seguras e salvar vidas.

Embora esperemos que a direção autônoma mude nossas cidades e vidas para melhor, um tópico ainda precisa ser respondido: a direção autônoma sinaliza o fim dos semáforos? E se sim, por que isso importa?

Os onipresentes semáforos

Os semáforos existem há mais tempo do que o próprio carro. Eles apareceram pela primeira vez em 1868, quando foram instalados fora das Casas do Parlamento em Londres.

Essas luzes movidas a gás foram propostas pelo engenheiro de sinalização ferroviária John Knight para aliviar os problemas causados pelas muitas carruagens puxadas por cavalos na época. Mas foi só em 1900,  com o surgimento do automóvel e da eletricidade, que os semáforos realmente ficaram populares.

Apesar de passar por várias mudanças, os semáforos permaneceram praticamente os mesmos — embora hoje sejam iluminados por LEDs em vez de movidos a gás. Usando um sistema simples de três cores na maioria dos casos, eles transmitem os comandos das estradas às pessoas de maneira eficaz.

Os benefícios dos semáforos são óbvios (maior segurança e fluxo de tráfego, entre outros), mas eles têm algumas desvantagens. Por exemplo: sua compra e instalação podem custar até US$ 500.000. Adicione a isso os custos de eletricidade e manutenção de US$ 8.000 por ano, mais quaisquer custos envolvidos na mudança da infraestrutura rodoviária. 

Eliminá-los, então, economizaria ao contribuinte uma soma considerável — potencialmente, centenas de milhões de dólares por ano. Portanto, à medida que a direção autônoma amadurece gradualmente, é hora de desligar as luzes? Ainda precisaremos dos semáforos se os veículos puderem se comunicar entre si?

Boas vindas à direção autônoma

Se a direção autônoma pode levar ao eventual desaparecimento dos confiáveis semáforos, como os veículos passarão por cruzamentos movimentados e faixas de pedestres? A resposta para isso é simples: os veículos precisarão se comunicar uns com os outros por meio da comunicação Vehicle-to-Everything (V2X). 

V2X é uma tecnologia de comunicação sem fio que roda em 4G e 5G. Abrangendo a comunicação veículo a veículo (V2V), veículo a pedestre (V2P), veículo a infraestrutura (V2I) e veículo a rede (V2N), V2X — como o nome sugere —, os veículos podem se comunicar com tudo o for necessário para garantir uma experiência de direção segura sem interferência humana.

Embora os veículos autônomos de hoje possam detectar e responder aos semáforos, eles contam com sistemas de visão sensíveis e algoritmos complexos para fazer isso. Isso pode ser problemático, pois a visibilidade dos semáforos pode variar com base nas condições climáticas, como chuva ou neblina, ou as próprias luzes podem até estar fora de serviço. O V2X — especificamente, o V2I — supera esse problema, permitindo que os veículos “conversem” com a infraestrutura rodoviária e recebam instruções em tempo real.

O V2X também oferece outros benefícios: permite-nos projetar sistemas que podem instruir carros individuais em vez de sinalizar todos os carros em um determinado cruzamento, trazendo um controle mais refinado do fluxo de tráfego. 

Por exemplo: as interseções baseadas em slots (SIs) poderiam, teoricamente, dobrar a capacidade de tráfego e, ao mesmo tempo, reduzir os atrasos a quase zero. Desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), do Instituto Suíço de Tecnologia (ETHZ) e do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR), os SIs são semelhantes aos sistemas usados na aviação e rapidamente ganharam popularidade.

A direção autônoma e seu conjunto de tecnologias diferentes nos permitirão repensar completamente como controlamos o fluxo de tráfego. As possibilidades são limitadas apenas pela nossa imaginação.

E quanto a outros usuários nas vias?

É possível que os veículos autônomos naveguem com segurança mesmo se apagarmos os semáforos, mas embora eles constituam a maioria dos usuários nas vias, outros usuários, como ciclistas e pedestres, também precisam usar as ruas, avenidas e estradas com segurança.

Eles serão o único motivo para manter os semáforos acesos?

Não necessariamente. Hans Monderman, um engenheiro de tráfego holandês, acredita que remover semáforos e até mesmo sinais e meios-fios melhoraria a segurança no trânsito, tornando os motoristas humanos mais cuidadosos. 

Sua filosofia, conhecida popularmente como “espaço compartilhado”, já foi implantada em várias cidades e alcançou resultados promissores. A ideia força os humanos a estarem mais conscientes do que os cerca e a usar o bom senso, em vez de sobrecarregá-los com uma enxurrada constante de sinais de trânsito. 

O mesmo seria possível para AVs? Talvez, dados os recursos tecnológicos adequados e padronização. Pode até obter resultados melhores do que com veículos pilotados por humanos.

Mesmo assim, essa abordagem provavelmente estaria limitada a certas áreas, como ruas comerciais em centros urbanos. É improvável que encontre um lugar nas estradas principais ou rodovias, pois exige que os veículos dirijam em velocidades muito mais lentas e reduziria o fluxo de tráfego.

Em termos de uma abordagem baseada em tecnologia, o V2P permitiria que veículos e pedestres se comuniquem de tal forma que os carros podem dizer aos pedestres quando e onde é seguro atravessar a estrada. Isso pode eliminar totalmente a necessidade de travessias exclusivas, permitindo que as pessoas cruzem estradas movimentadas com segurança em qualquer ponto conveniente. No mínimo, reduziria significativamente os custos de construção e manutenção de luzes nas faixas de pedestres.

Nem é preciso dizer que veículos e pedestres terão que compartilhar o mesmo espaço. A questão é como conseguimos isso com AVs passando rapidamente e pedestres querendo atravessar a rua. Ainda hoje, veículos parcialmente autônomos são capazes de detectar com precisão pedestres e ciclistas usando sensores LiDAR, criando um mapa 3D dos objetos ao redor com precisão de apenas alguns centímetros. Conforme a tecnologia avança, há poucas dúvidas de que AVs e pedestres coexistirão harmoniosamente.

Adeus semáforos?

Eles têm sido um marco em nossas estradas por mais de 150 anos e, certamente, trouxeram benefícios significativos. Apesar das despesas envolvidas na instalação e manutenção, o fato de que os semáforos salvam vidas e mantêm os veículos fluindo suavemente supera qualquer desvantagem.

Embora possamos apenas imaginar se o próprio John Knight imaginou o impacto que os semáforos teriam, eles foram projetados especificamente para motoristas humanos. E como os AVs eventualmente não terão necessidade de sentarmos no banco do motorista — não haverá nem mesmo um “banco do motorista” típico —, parece que os semáforos consagrados pelo tempo finalmente encontrarão o seu fim.

À medida que as luzes gradualmente diminuem, substituídas por uma nova infraestrutura projetada para se comunicar com veículos e pessoas, novos mercados e oportunidades surgirão. Então, da próxima vez que você estiver esperando no semáforo e se perguntar “quando os semáforos vão mudar?”, saiba que eles podem estar com os dias contados em um futuro não muito distante — isso seria uma grande mudança, de fato!

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Escrito por:

Marketing Huawei

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