A indústria da IoT (Internet das Coisas) tomou um caminho muito interessante nos últimos anos. Com grandes expectativas desde o início, alguma decepção pode ser sentida no mercado e aqueles que eram céticos em relação a esse tema estão começando a falar mais sobre a IoT nas salas de reuniões. 

Muitos questionam o seu valor de negócio, se irá gerar ROI justificáveis ou atingir objetivos de desenvolvimento sustentável, mas a  maior preocupação é quando o mercado terá um ganho econômico positivo crescente? Quão grande e sustentável será realmente?

Não existe uma resposta simples. A realidade do mercado é que a IoT não é uma tecnologia isolada ou um segmento de negócios independente, mas sim um componente integral da transformação digital global que as TICs trazem ao nosso mundo ─ um ecossistema totalmente interligado.

Independentemente de onde você esteja no mundo, vemos histórias de IoT de sucesso em diversos segmentos estratégicos como serviços de utilidade pública, transportes, agricultura e indústria.

A cada dia vemos mais empresas começando a sentir o retorno das aplicações de IoT em suas operações, em seus resultados e implementações regionais no mundo desenvolvido e em desenvolvimento.

Cidades Inteligentes: um verdadeiro motor do ecossistema de IoT

Eu geralmente sou seletivo nas conferências de IoT que frequento e, dentre muitas opções,  priorizo aquelas que têm como tema Smart City (Cidades Inteligentes, em português).

Isso não é só por causa das tecnologias mais recentes que são discutidas, mas porque também oferecem a oportunidade de benchmarking para avaliar o estado da indústria de IoT e a sua posição atual no que diz respeito a alcançar o crescimento econômico prometido.

As reuniões sobre Smart City reúnem todos os decisores de alta potência de todas as partes do ecossistema, incluindo: 

  • líderes de pensamento;
  • fornecedores de tecnologia;
  • empresas;
  • representantes do governo;
  • pesquisadores acadêmicos;
  • organizações sem fins lucrativos. 

Todos dão opiniões aprofundadas sobre as perspectivas locais, nacionais e globais da Internet das Coisas.

O que as pesquisas dizem sobre Cidade Inteligente?

Uma smart city proporciona um aumento na qualidade de vida em diversos segmentos.

No contexto de Cidade Inteligente, McKinsey Global Institute MGI publicou recentemente o relatório que fala sobre soluções digitais para um futuro mais habitável e avalia como as aplicações de Smart City podem afetar a qualidade de vida em vários segmentos como: 

  • segurança;
  • saúde;
  • qualidade ambiental;
  • conexão social;
  • participação cívica;
  • empregos;
  • custo de vida.

A pesquisa sustenta que as aplicações de cidades inteligentes podem melhorar alguns indicadores-chave de qualidade de vida em 10 a 30%. 

Alguns exemplos que o relatório cita incluem a redução em: 

  • consumo de água em até 20%;
  • resíduos não reciclados em 10% a 20%;
  • doenças em 8% a 15%;
  • tempo de deslocamento no transporte público em 15% a 20%;
  • crime em 30% a 40%;
  • tempos de resposta de emergência em 20% a 30%.

O relatório também correlaciona a taxa de sucesso de adoção da implantação de Cidades Inteligentes e a disponibilidade da base de tecnologia subjacente em termos de extensão de sensores e dispositivos, a qualidade das redes de comunicação e a presença de portais de dados abertos.

A pesquisa também mostra que as cidades de alta renda na América do Norte, Europa, China e Ásia Oriental continuam a construir uma forte base tecnológica subjacente, enquanto as cidades em desenvolvimento enfrentam uma desvantagem, particularmente na instalação da camada de sensores, o elemento de custo mais alto.

Isso explica por que cidades como Nova York, São Francisco, Estocolmo, Amsterdã, Cingapura, Seul, Buenos Aires, São Paulo, Abu Dhabi e Dubai estão em destaque. 

Todas têm redes de comunicação de alta velocidade e estão em processo de lançamento dos serviços 5G. Essas cidades também expandiram sua base de sensores além do que a maioria de seus pares globais conseguiram.

Qual o valor econômico de uma Smart City?

Semelhante ao modo como as tecnologias móveis contribuíram para a economia global, podemos desenhar projeções semelhantes para a Internet das Coisas. 

O último relatório de economia móvel do GSMA 2018 indica que as tecnologias e serviços móveis geraram 4,5% do PIB global em 2017, uma contribuição que totalizou US$3,6 trilhões de valor econômico dentro de um ecossistema móvel mais amplo.

Colocando em um contexto de IoT onde o número previsto de conexões para 2025 irá superar o número de pessoas conectadas, podemos igualmente medir a contribuição de IoT em uma economia por conexão média per capita, como um indicador que tem peso semelhante ao PIB per capita, ARPU (receita média por cliente) em telecomunicações, ou ARPC (receita média por conexão) em IoT.

O número de conexões per capita pode muito bem refletir a capacidade da economia e das organizações para gerar valor e receita, demonstrando sua força financeira e econômica.

Quanto mais cedo as coisas, indústrias e pessoas estiverem conectadas, mais cedo os benefícios serão gerados. O custo econômico por não estar conectado é muito alto a longo prazo.

Resultados das cidades inteligentes

A cidade inteligente contribui para acelerar o crescimento econômico.

A boa notícia é que o mercado nos aponta fortes indícios de que a Internet das Coisas está no caminho certo; não só para a prosperidade econômica potencial nos países industrializados, mas também para criar um desenvolvimento substancial para as populações dos países emergentes.

Existem excelentes exemplos de alguns mercados em rápido desenvolvimento na Ásia, onde o crescimento anual das conexões em IoT atingiu 55% ao ano, entre 2010 e 2013.

A análise de mercado também mostra algumas características gerais de projetos de IoT bem-sucedidos em mercados emergentes.

No entanto, com poucas exceções, encontramos escala de implantação, nível de investimento e propriedade da maioria desses projetos impulsionados por setores privados das PMEs e implementados de forma isolada e independente de infraestruturas de apoio ou de organizações públicas.

Porém, para implantação em grande escala, o crescimento potencial da IoT está sujeito a outros fatores-chave, tais como o investimento a longo prazo, em que os riscos elevados precisam ser continuamente monitorados, ajustados e liberados por meio de políticas que vão além da capacidade de lidar das PMEs ou do setor privado.

Por esse motivo, muitos países já assumiram a liderança na adaptação de estratégias nacionais de IoT que permitem a legislação promover a implantação de tecnologias e redes, para financiar e incentivar soluções de IoT inteligentes que impulsionam o investimento para o mercado e aceleram o crescimento econômico projetado.

A Índia é um exemplo perfeito, o primeiro documento de política da Internet das Coisas foi lançado pelo seu governo em outubro de 2014. Esse documento define o objetivo do governo de criar uma indústria de IoT na Índia no valor de US$15 bilhões.

Aceleração da indústria da Internet das Coisas

As seguintes características irão acelerar a indústria da IoT: 

  • disponibilidade de infraestruturas de telecomunicações avançadas e seguras;
  • banda larga móvel;
  • tecnologias sem fio de ultra velocidade;
  • inteligência artificial sofisticada;
  • capacidades de análise de dados que transformam operações comerciais;
  • dispositivos de baixa potência;
  • plataformas de dados abertas.

Porém, ainda é necessário muito trabalho para preencher a lacuna entre a infraestrutura digitalizada, que é a líder global, e os sistemas antigos ainda existentes.

A IoT necessita de parcerias

É essencial que haja parcerias locais, nacionais ou internacionais para avançar na indústria de IoT.

Colaboração, colaboração e colaboração é a mentalidade básica que precisa ser cultivada, não só entre indústrias a nível local ou nacional, mas também a nível internacional.

A colaboração através da concorrência aberta, das normas abertas e da capacidade de um sistema se comunicar com outro de forma transparente deverá ser incentivada o mais rápido possível.

Permitir parcerias entre o setor privado e o setor público são fatores indispensáveis para avançar.

Além disso, existem outros fatores que também contribuem para o avanço da indústria de IoT, como:

  • Colaboração com líderes da indústria através da adaptação de programas de aceleração de IoT prontamente disponíveis;
  • capacitação de mercado com parceiros da indústria para acelerar o know-how;
  • evitar custos não previstos;
  • trazer a experiência certa para se aplicar as melhores práticas e lições de IoT aprendidas com os adaptadores do mercado global;
  • criar um ambiente de laboratório inovador que irá acelerar a entrada dos negócios no caminho do crescimento econômico.

A velocidade e o valor real da Internet das Coisas surgirão quando forem criados modelos construtivos de colaboração e engajamento. Isto significa mudança para uma cultura colaborativa e coexistente entre fornecedores de tecnologia, líderes da indústria, governos e corporações, tanto regionais quanto internacionais.

Se você gostou deste conteúdo, continue lendo os artigos do blog da Huawei e fique por dentro de todas as tecnologias necessárias para o crescimento e desenvolvimento da sua companhia.

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Traduzido e Adaptado

Artigo original

Comentários

  • Geraldo De Souza Ferraz

    11 de mar de 2021 | 21:47

    Não gosto de usar termos em inglês. Estou no Brasil e falo cidade inteligente. Uma candidata a prefeita do Recife, tinha no seu programa de governo a cidade inteligente, infelizmente, não foi eleita.

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